Dicas de saúde

Jejum intermitente

Postagem: 25 de outubro de 2017


Um recente estudo da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) revelou que a obesidade no Brasil aumentou em 60%. Segundo os dados, a cada cinco pessoas, uma está obesa.

 

Quem deseja perder uns quilos, muitas vezes pula a orientação e acaba abraçando as dietas que estão em alta. A do momento é o método de jejum intermitente, em que a pessoa passa longos períodos sem se alimentar, podendo chegar a 24 horas.

 

Mas será que ficar bastante tempo sem comer funciona? De fato, o indivíduo emagrece, afinal, ele está ingerindo menos alimentos durante o dia. Mas alguns profissionais da saúde apontam algumas desvantagens para quem segue esse caminho.

 

Para começar, a dieta em questão é um desafio para o organismo. Nas três primeiras horas após a refeição, o corpo utiliza o carboidrato (glicose) disponível na corrente sanguínea como fonte de energia para o gasto energético basal, por exemplo, para o funcionamento de células, tecidos, órgãos e para o desenvolvimento de atividades diárias, como andar, trabalhar e pedalar etc.

 

Depois desse período, a concentração de glicose sanguínea começa a cair, ao ponto de atingir quantidades mínimas. Vem o alerta e a necessidade de mais uma refeição. No caso de quem faz o jejum prolongado, nada entra.

 

Sem a ingestão alimentar, o organismo tem que “se virar” e passa a utilizar como fonte energética as proteínas da musculatura dos tecidos adiposos (gorduras localizadas) para manutenção das atividades. “Ao utilizá-los, ocorre a redução do peso corporal, tanto da massa magra (músculos) quanto da gorda (gordura). Daí a perda de peso acelerada”, comenta Ana Vitória.

 

Alerta máximo

Como já falamos, nesse tipo de dieta ocorre a redução de glicose na corrente sanguínea como fonte rápida de energia. Quando a glicemia diminui, o fígado entra em ação e passa a processar o glicogênio como forma de reserva energética, liberando glicose no sangue. Ela mantém a glicemia em um nível considerável por cerca de oito horas, garantindo ao cérebro a nutrição para o desempenho de todas as suas atividades, bem como para os demais órgãos.

 

Se as reservas de glicogênio do fígado acabarem e houver uma restrição alimentar – como acontece no jejum intermitente –, a pessoa fica hipoglicêmica (com base concentração de glicose sanguínea), o que eventualmente pode gerar um quadro de neuroglicopenia, ou seja, pouca disponibilidade de glicose no sistema nervoso.

 

E mais: no jejum prologado, ainda ocorrem alterações na liberação dos hormônios. Por exemplo, há o aumento da produção de cortisol e adrenalina, que potencializam a perda de massa magra e o envelhecimento celular.

 

E quanto ao efeito sanfona? Sim, existe uma grande probabilidade de a pessoa ganhar peso novamente, afinal, trata-se de uma dieta restritiva, diferentemente de um processo de reeducação alimentar. A pessoa tende a ter grande necessidade de ingestão de alimentos ricos em carboidratos, principalmente os simples, como uma forma do corpo compensar o período de deficiência de glicose.

 

Na alimentação, outro alerta: é importante realizar uma refeição mais completa possível, incluindo carboidratos complexos, ricos em fibras, vitaminas e minerais, como os provenientes de vegetais (batata doce, mandioca, abóbora, cenoura), proteínas magras (peixe ou peito de frango), frutas e evitar alimentos gordurosos.

 

Caso a pessoa se proponha a realizar esse tipo de dieta, é fundamental que seja acompanhada por um profissional capacitado.